Isaiæ 1
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| NOVA VULGATA | Biblia Matos Soares |
|---|---|
| 1 Visio Isaiae filii Amos, quam vidit super Iudam et Ierusalem in diebusOziae, Ioatham, Achaz, Ezechiae regum Iudae. | 1 Visão de Isaías, filho de Amós, a qual ele teve acerca de Judá e de Jerusalém, nos dias de Ozias, de Joatan, de Acaz e de Ezequias, reis de Judá. |
| 2 Audite, caeli, et auribus percipe, terra, quoniam Dominus locutus est: “ Filios enutrivi et exaltavi, ipsi autem spreverunt me. | 2 Ouvi, céus, e tu, ó terra, escuta, porque é o Senhor que fala. Criei filhos (diz ele) e engrandeci-os, porém eles revoltaram-se contra mim. |
| 3 Cognovit bos possessorem suum, et asinus praesepe domini sui; Israel non cognovit, populus meus non intellexit ”. | 3 O boi conhece o seu possuidor, e o jumento o presépio do seu dono, mas Israel não conhece nada, o meu povo não tem inteligência. |
| 4 Vae genti peccatrici, populo gravi iniquitate, semini nequam, filiis sceleratis! Dereliquerunt Dominum, blasphemaverunt Sanctum Israel, abalienati sunt retrorsum. | 4 Ai da nação pecadora, do povo carregado de iniquidades, da raça maligna, dos filhos malvados! Abandonaram o Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram-lhe as costas. |
| 5 Super quo percutiemini vos ultra, addentes praevaricationem? Omne caput languidum, et omne cor maerens. | 5 De que servirá que eu vos fira de novo, se vós (obstinados) acumulais prevaricações sobre prevaricações? Toda a cabeça está enferma, todo o coração abatido. |
| 6 A planta pedis usque ad verticem non est in eo sanitas; vulnus et livor et plaga tumens non est circumligata nec curata medicamine neque fota oleo. | 6 Desde a planta do pé até ao alto da cabeça, não há nele nada são: tudo são feridas, contusões, chagas vivas, que não estão ligadas, que não estão pensadas, nem suavizadas com óleo. |
| 7 Terra vestra deserta, civitates vestrae succensae igni; regionem vestram coram vobis alieni devorant, et desolabitur sicut in vastitate hostili. | 7 A vossa terra está deserta, as vossas cidades abrasadas pelo fogo; os estranhos devoram à vossa vista o vosso país, e ele é devastado como numa assolação de inimigos. |
| 8 Et derelinquetur filia Sion ut umbraculum in vinea, sicut tugurium in cucumerario, sicut civitas, quae obsessa est. | 8 A filha de Sião (ou Jerusalém) fica desamparada como cabana numa vinha, como choça num pepinal, como uma cidade entregue à pilhagem. |
| 9 Nisi Dominus exercituum reliquisset nobis semen, quasi Sodoma fuissemus et quasi Gomorra similes essemus. | 9 Se o Senhor dos exércitos nos não tivesse conservado alguns da nossa linhagem, teríamos sido como Sodoma, ter-nos-íamos tornado semelhantes a Gomorra. |
| 10 Audite verbum Domini, principes Sodomorum; percipite auribus legem Dei nostri, populus Gomorrae. | 10 Ouvi a palavra do Senhor, ó príncipes (que imitais os reis) de Sodoma, escuta a lei do nosso Deus, ó povo (semelhante ao) de Gomorra. |
| 11 “ Quo mihi multitudinem victimarum vestrarum?, dicit Dominus. Plenus sum holocaustis arietum et adipe pinguium; et sanguinem vitulorum et agnorum et hircorum nolui. | 11 De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas? — diz o Senhor. Já estou farto de holocaustos de carneiros, de gordura de bezerros; não me comprazo no sangue dos touros, dos cordeiros e dos bodes. |
| 12 Cum veneritis ante conspectum meum, quis quaesivit haec de manibus vestris, ut ambularetis in atriis meis? | 12 Quando vínheis à minha presença, quem vos pediu que andásseis a passear nos meus átrios (tão ufanos)? |
| 13 Ne afferatis ultra sacrificium vanum; abominatio mihi incensum, neomenia et sabbatum et conventus; non feram scelus cum coetu sollemni; | 13 Não me tragais mais vãs oferendas; o incenso é para mim abominação; as (celebrações por ocasião das) neoménias, os sábados e as outras festividades, não as posso já sofrer; não posso suportar as assembleias solenes com o crime. |
| 14 calendas vestras et sollemnitates vestras odivit anima mea, facta sunt mihi molesta, laboravi sustinens. | 14 A minha alma aborrece as vossas neoménias e as vossas solenidades; tornaram-se-me molestas, estou cansado de as suportar. |
| 15 Et cum extenderitis manus vestras, avertam oculos meos a vobis; et cum multiplicaveritis orationem, non exaudiam: manus enim vestrae sanguine plenae sunt. | 15 Quando estendeis as vossas mãos, aparto de vós os meus olhos; quando multiplicais as vossas orações não as atendo, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. |
| 16 Lavamini, mundi estote, auferte malum cogitationum vestrarum ab oculis meis; quiescite agere perverse, | 16 Lavai-vos, purificai-vos, tirai de diante dos meus olhos a malícia das vossas ações; cessai de fazer o mal, |
| 17 discite benefacere: quaerite iudicium, subvenite oppresso, iudicate pupillo, defendite viduam. | 17 aprendei a fazer o bem, procurai o que é justo, socorrei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a viúva. |
| 18 Et venite, et iudicio contendamus, dicit Dominus. Si fuerint peccata vestra ut coccinum, quasi nix dealbabuntur; et, si fuerint rubra quasi vermiculus, velut lana erunt. | 18 Vinde, expliquemo-nos, diz o Senhor: se os vossos pecados forem como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve: se forem vermelhos como a púrpura, ficarão brancos como a (mais) branca lã. |
| 19 Si volueritis et audieritis, bona terrae comedetis; | 19 Se quiserdes, se fordes dóceis, comereis os bens da terra. |
| 20 quod si nolueritis et me ad iracundiam provocaveritis, gladius devorabit vos, quia os Domini locutum est ”. | 20 Mas se não quiserdes e me provocardes à ira, devorai-vos-á a espada, porque foi a boca do Senhor que falou. |
| 21 Quomodo facta est meretrix civitas fidelis, plena iudicii? Iustitia habitavit in ea, nunc autem homicidae. | 21 Como se tornou uma prostituta a cidade fiel, cheia de retidão? Outrora habitou nela a justiça, mas agora habitam os homicidas. |
| 22 Argentum tuum versum est in scoriam, vinum tuum mixtum est aqua; | 22 A tua prata converteu-se era escória; o teu vinho misturou-se com água. |
| 23 principes tui infideles, socii furum: omnes diligunt munera, sequuntur retributiones, pupillo non iudicant, et causa viduae non ingreditur ad illos. | 23 Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; todos eles amam as dádivas, andam atrás das recompensas. Não fazem justiça ao órfão, e a causa da viúva não tem acesso a eles. |
| 24 Propter hoc ait Dominus, Deus exercituum, Fortis Israel: “ Heu, consolabor super hostibus meis et vindicabor de inimicis meis. | 24 Por este motivo, diz o Senhor Deus rei dos exércitos, o Forte de Israel: Ah! Tirarei satisfação dos meus adversários, vingar-me-ei dos meus inimigos! |
| 25 Et convertam manum meam ad te et excoquam ad purum scoriam tuam et auferam omne stannum tuum. | 25 Voltarei a minha mão sobre t,. purificar-te-ei no crisol, separarei de ti todo o chumbo. |
| 26 Et restituam iudices tuos, ut fuerunt prius, et consiliarios tuos sicut antiquitus; post haec vocaberis Civitas iustitiae, Urbs fidelis ”. | 26 Restabelecerei os teus juízes (fazendo com que eles sejam) como eram dantes, e os teus conselheiros como antigamente; depois disto, serás chamada a cidade da justiça, a cidade fiel. |
| 27 Sion in iudicio redimetur et, qui in ea reversi sunt, in iustitia. | 27 Sião será resgatada pela retidão, e os seus convertidos pela justiça. |
| 28 Erit autem ruina scelestis et peccatoribus simul; et, qui dereliquerunt Dominum, consumentur. | 28 Os malvados e os pecadores serão despedaçados, todos juntos e os que abandonam o Senhor serão consumidos. |
| 29 Confundemini enim terebinthis, in quibus delectati estis, et erubescetis super hortis, quos elegistis. | 29 Tereis vergonha dos terebintos que amastes envergonhar-vos-eis dos jardins que tínheis escolhido. |
| 30 Nam eritis velut quercus, defluentibus foliis, et velut hortus absque aqua; | 30 Sereis como um terebinto, ao qual caem as folhas, como um jardim sem água. |
| 31 et erit fortitudo vestra ut favilla stuppae, et opus eius quasi scintilla, et succendetur utrumque simul, et non erit qui exstinguat. | 31 O homem forte será como estopa, e a sua obra como faúlha; ambas se consumirão ao mesmo tempo, e não haverá quem as apague. |