Scrutatio

Friday, 23 February 2024 - San Policarpo ( Letture di oggi)

Lamentações 3


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1Eu sou o homem que conheceu a dor, sob a vara de seu furor.2Conduziu-me e me fez caminhar nas trevas e não na claridade.3Ele não cessa de voltar a mão todos os dias contra mim.4Consumiu minha carne e minha pele, partiu meus ossos.5Em torno de mim acumulou veneno e dor.6Fez-me morar nas trevas como os mortos do tempo antigo.7Cercou-me com muralhas sem saída, carregou-me de pesados grilhões.8Não obstante meus gritos e apelos sufocou a minha prece!9Fechou-me a vereda com pedras e obstruiu o meu caminho.10Foi ele para mim qual urso de emboscada, qual leão traiçoeiro.11Desviou-me para me dilacerar, deixando-me no abandono.12Retesou o arco e me tomou para alvo de suas setas.13Cravou em meus rins as flechas de sua aljava.14Tornei-me escárnio do meu povo, objeto constante de suas canções.15Saturou-me de amarguras, saciou-me de absinto.16Quebrou-me os dentes com cascalhos, mergulhou-me em cinzas.17A paz foi roubada de minha alma, nem sei mais o que é felicidade.18E eu penso: perdi minha força e minha esperança no Senhor.19A lembrança de meus tormentos e minhas misérias é para mim absinto e veneno.20A pensar nisso sem cessar, minha alma desfalece dentro de mim.21Eis, porém, o que vou tomar a peito para recuperar a esperança.22É graças ao Senhor que não fomos aniquilados, porque não se esgotou sua piedade.23Cada manhã ele se manifesta e grande é sua fidelidade.24Disse-me a alma: o Senhor é minha partilha, e assim nele confio.25O Senhor é bom para quem nele confia, para a alma que o procura.26Bom é esperar em silêncio o socorro do Senhor.27É bom para o homem carregar seu jugo na mocidade.28Permaneça só e em silêncio, quando Deus lho determinar!29Leve sua boca ao pó; haverá, talvez, esperança?30Estenda a face a quem o fere, e se farte de opróbrios!31Porque o Senhor não repele para sempre.32Após haver afligido, ele tem piedade, porque é grande sua misericórdia.33Não lhe alegra o coração humilhar e afligir os homens.34Calcar aos pés todos os cativos da terra;35violar o direito de um homem à face do Altíssimo;36lesar os direitos de outros... Não vê tudo isso o Senhor?37De quem se executa a ordem, sem que Deus a ordene?38Não é da boca do Altíssimo que procedem males e bens?39De que pode o homem em vida queixar-se? Que cada um se queixe de seus pecados.40Examinemos, escrutemos o nosso proceder, e voltemos para o Senhor.41Elevemos os corações, tanto quanto as mãos, para Deus lá nos céus.42Pecamos, recalcitramos, e não nos perdoastes.43Cobristes-vos de cólera para nos perseguir. Matastes sem piedade.44Numa nuvem vos envolvestes para impedir que a prece a atravessasse.45E de nós fizestes raspas, refugo das nações.46Contra nós abrem a boca todos os nossos inimigos.47Fosso e terror - é o nosso quinhão, com ruínas e desolação.48Rios de lágrimas correm-me dos olhos, por causa da ruína da filha de meu povo.49Não cessam meus olhos de chorar, porque não cessa {a desgraça},50até que do alto dos céus o Senhor desça seu olhar.51Minha alma se amargura, ao ver todas as filhas da minha cidade.52Caçaram-me como a um pardal os que, sem razão, me odeiam.53Quiseram precipitar-me no fosso rolando uma pedra sobre mim.54Acima de mim subiam as águas: Estou perdido!, exclamei.55Invoquei, Senhor, o vosso nome do profundo fosso.56Ouvistes-me gritar: Não aparteis do meu chamado o vosso ouvido.57E vós viestes no dia em que vos invoquei e dissestes: Não tenhas medo!58Defendestes, Senhor, a minha causa, e minha vida resgatastes.59Vistes, Senhor, o mal que me fizeram: fazei-me justiça.60Vós vedes seus projetos vingativos e suas tramas contra mim.61Senhor, ouvistes suas injúrias e todos os seus conluios contra mim;62As palavras de meus inimigos e o que sem cessar estão tramando contra mim.63Observai-os: sentados ou de pé, fazem de mim objeto de suas canções.64Dai-lhes, Senhor, a paga, o que merece o seu proceder.65Cegai-lhes o coração; feri-os com a vossa maldição;66persegui-os com vossa cólera, e exterminai-os do nosso universo, Senhor!