SCRUTATIO

Martedi, 1 settembre 2026 - San Giuseppe d'Arimatea ( Letture di oggi)

Sapientia 17


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VULGATABiblia Matos Soares
1 Magna sunt enim judicia tua, Domine,
et inenarrabilia verba tua :
propter hoc indisciplinatæ animæ erraverunt.
1 Grandes são, Senhor, e impenetráveis os teus juízos; por isso as almas sem instrução se desgarraram.
2 Dum enim persuasum habent iniqui
posse dominari nationi sanctæ,
vinculis tenebrarum et longæ noctis compediti,
inclusi sub tectis,
fugitivi perpetuæ providentiæ jacuerunt.
2 Os maus, julgando poder dominar o povo santo, prisioneiros das trevas e encadeados, por uma longa noite, jaziam encerrados sob os seus tectos, fugindo (tentando fugir) à (tua) eterna providência.
3 Et dum putant se latere in obscuris peccatis,
tenebroso oblivionis velamento dispersi sunt,
paventes horrende,
et cum admiratione nimia perturbati.
3 Quando eles julgavam estar escondidos, com os seus pecados secretos, sob o véu tenebroso do esquecimento, foram dispersados, horrendamente espavoridos e perturbados por espectros.
4 Neque enim quæ continebat illos spelunca sine timore custodiebat,
quoniam sonitus descendens perturbabat illos,
et personæ tristes illis apparentes pavorem illis præstabant.
4 Nem a caverna, em que se tinham refugiado os guardava do temor: ruídos aterradores ressoavam em sua volta, e espectros melancólicos sinistramente lhes apareciam.
5 Et ignis quidem nulla vis poterat illis lumen præbere,
nec siderum limpidæ flammæ
illuminare poterant illam noctem horrendam.
5 Não havia fogo, por mais ardente que fosse, capaz de lhes dar luz, nem as brilhantes chamas das estrelas podiam iluminar aquela horrorosa noite.
6 Apparebat autem illis subitaneus ignis, timore plenus ;
et timore perculsi illius quæ non videbatur faciei,
æstimabant deteriora esse quæ videbantur.
6 Só lhes aparecia um clarão repentino e temeroso; amedrontados por esta visão, cuja causa ignoravam, julgavam mais formidáveis (do que eram) tais aparições.
7 Et magicæ artis appositi erant derisus,
et sapientiæ gloriæ correptio cum contumelia.
7 Então caíam por terra as ilusões das artes mágicas, e a sua sabedoria, pretensa sabedoria cobria-se de vergonhoso descrédito.
8 Illi enim qui promittebant
timores et perturbationes expellere se ab anima languente,
hi cum derisu pleni timore languebant.
8 Os que prometiam banir os temores e as perturbações das almas desfalecidas, esses mesmos estavam deprimidos, cheios dum medo ridículo.
9 Nam etsi nihil illos ex monstris perturbabat,
transitu animalium et serpentium sibilatione commoti,
tremebundi peribant,
et aërem quem nulla ratione quis effugere posset, negantes se videre.
9 Ainda que nada de terrível os perturbasse, assustados com a passagem dos animais e com os silvos das serpentes, morriam tremendo de medo, e nem mesmo queriam ver o ar, que ninguém de modo algum pode evitar.
10 Cum sit enim timida nequitia,
dat testimonium condemnationis :
semper enim præsumit sæva,
perturbata conscientia :
10 A maldade é medrosa e condena-se por seu próprio testemunho; oprimida pela consciência, supõe sempre o pior.
11 nihil enim est timor nisi proditio cogitationis auxiliorum.
11 O temor não é outra coisa senão a privação dos socorros trazidos pela reflexão.
12 Et dum ab intus minor est exspectatio,
majorem computat inscientiam ejus causæ,
de qua tormentum præstat.
12 Quanto menor for, no fundo do coração, a esperança de auxílio, tanto maior o receio de ignorar a causa dos tormentos.
13 Illi autem qui impotentem vere noctem,
et ab infimis et ab altissimis inferis supervenientem,
eumdem somnum dormientes,
13 Aqueles, pois, que, nessa noite verdadeiramente impossibilitante, saída do mais baixo e profundo do orco, dormiam um mesmo sono,
14 aliquando monstrorum exagitabantur timore,
aliquando animæ deficiebant traductione :
subitaneus enim illis et insperatus timor supervenerat.
14 umas vezes eram agitados por espectros aterradores, outras desmaiavam pelo desfalecimento do seu espírito, porque os sobressaltava um repentino e inesperado temor.
15 Deinde si quisquam ex illis decidisset,
custodiebatur in carcere sine ferro reclusus.
15 Depois disto, se algum deles, fosse quem fosse, caía sem força, ficava como preso e encerrado num cárcere sem ferros.
16 Si enim rusticus quis erat, aut pastor,
aut agri laborum operarius præoccupatus esset,
ineffugibilem sustinebat necessitatem ;
16 Tanto o camponês como o pastor, ou o que se ocupava nos trabalhos do campo, se eram assim surpreendidos, ficavam sujeitos a uma necessidade inevitável,
17 una enim catena tenebrarum omnes erant colligati.
Sive spiritus sibilans,
aut inter spissos arborum ramos avium sonus suavis,
aut vis aquæ decurrentis nimium,
17 porque todos estavam ligados com uma mesma cadeia de trevas. Ou fosse o vento quando assoprava, ou o suave canto dos pássaros entre os espessos ramos de árvores, ou a violência da água, correndo precipitadamente,
18 aut sonus validus præcipitatarum petrarum,
aut ludentium animalium cursus invisus,
aut mugientium valida bestiarum vox,
aut resonans de altissimis montibus echo :
deficientes faciebant illos præ timore.
18 ou o fragor das pedras que se despenhavam, ou a carreira invisível de animais que saltavam, ou o forte rugido das feras, ou o eco que reboava na concavidade dos montes, — tudo os fazia desfalecer de terror,
19 Omnis enim orbis terrarum limpido illuminabatur lumine,
et non impeditis operibus continebatur.
19 Entretanto todo o resto do mundo estava alumiado com uma luz clara, e ocupava-se nos seus trabalhos sem obstáculo algum.
20 Solis autem illis superposita erat gravis nox,
imago tenebrarum quæ superventura illis erat :
ipsi ergo sibi erant graviores tenebris.
20 Somente sobre eles pesava uma profunda noite, imagem das trevas que lhes estavam reservadas. Mas eram a si mesmos mais insuportáveis do que as próprias trevas.