Livro da Sabedoria 5
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| Biblia Matos Soares | VULGATA |
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| 1 Então o justo se levantará com grande afouteza, em presença daqueles que o atribularam, e que desprezaram os seus trabalhos. | 1 Tunc stabunt justi in magna constantia adversus eos qui se angustiaverunt, et qui abstulerunt labores eorum. |
| 2 Ao verem-no, os maus perturbar-se-ão com temor horrível, e ficarão assombrados com a repentina salvação do justo, a qual eles não esperavam. | 2 Videntes turbabuntur timore horribili, et mirabuntur in subitatione insperatæ salutis ; |
| 3 Dirão dentro de si, tocados de (inútil) arrependimento, gemendo com angústia do espírito: Este é aquele de quem nós noutro tempo fazíamos zombaria, e a quem tínhamos por objecto de opróbrio. | 3 dicentes intra se, pœnitentiam agentes, et præ angustia spiritus gementes : Hi sunt quos habuimus aliquando in derisum, et in similitudinem improperii. |
| 4 Nós, insensatos, considerávamos a sua vida uma loucura, e a sua morte uma ignomínia. | 4 Nos insensati, vitam illorum æstimabamus insaniam, et finem illorum sine honore ; |
| 5 Como é contado entre os filhos de Deus, e entre os santos está a sua sorte? | 5 ecce quomodo computati sunt inter filios Dei, et inter sanctos sors illorum est. |
| 6 Logo nós nos extraviámos do caminho da verdade; a luz da justiça não raiou para nós, e o sol não nasceu para nós. | 6 Ergo erravimus a via veritatis, et justitiæ lumen non luxit nobis, et sol intelligentiæ non est ortus nobis. |
| 7 Cansámo-nos nas sendas da iniquidade e da perdição, andámos por desertos sem caminhos, ignorámos a via do Senhor. | 7 Lassati sumus in via iniquitatis et perditionis, et ambulavimus vias difficiles : viam autem Domini ignoravimus. |
| 8 De que nos aproveitou a soberba? De que nos serviu a riqueza com a jactância? | 8 Quid nobis profuit superbia ? aut divitiarum jactantia quid contulit nobis ? |
| 9 Todas estas coisas passaram como sombra, como uma notícia que corre veloz, | 9 Transierunt omnia illa tamquam umbra, et tamquam nuntius percurrens, |
| 10 como nau que vai cortando as ondas agitadas, da qual se não pode achar rasto depois que passou, nem a esteira da sua quilha nas ondas; | 10 et tamquam navis quæ pertransit fluctuantem aquam, cujus cum præterierit non est vestigium invenire, neque semitam carinæ illius in fluctibus ; |
| 11 ou como ave que voa, atravessando pelo ar, de cujo caminho se não acha indicio algum pois, batendo com as penas o ar subtil, fende-o com a força do seu impulso, abrindo caminho com o mover das suas asas, sem deixar sinal algum da sua passagem; | 11 aut tamquam avis quæ transvolat in aëre, cujus nullum invenitur argumentum itineris, sed tantum sonitus alarum verberans levem ventum, et scindens per vim itineris aërem : commotis alis transvolavit, et post hoc nullum signum invenitur itineris illius ; |
| 12 ou como seta despedida contra o alvo, que embora fenda o ar, (é de forma que) ele logo se une, de maneira que se ignora por onde ela passou. | 12 aut tamquam sagitta emissa in locum destinatum, divisus aër continuo in se reclusus est, ut ignoretur transitus illius : |
| 13 Assim também nós, apenas nascidos, deixámos de ser e nenhum traço de virtude podemos mostrar: fomos consumidos na nossa malícia. | 13 sic et nos nati continuo desivimus esse ; et virtutis quidem nullum signum valuimus ostendere, in malignitate autem nostra consumpti sumus. |
| 14 Eis o que os pecadores dirão na morada dos mortos. | 14 Talia dixerunt in inferno hi qui peccaverunt : |
| 15 Com efeito a esperança do ímpio é como a poeira levada pelo vento, como a espuma ténue, espalhada pela tempestade, como o fumo, dissipado pela aragem, e como a lembrança do hóspede dum dia que passa. | 15 quoniam spes impii tamquam lanugo est quæ a vento tollitur, et tamquam spuma gracilis quæ a procella dispergitur, et tamquam fumus qui a vento diffusus est, et tamquam memoria hospitis unius diei prætereuntis. |
| 16 Os justos, pelo contrário, viverão para sempre; a sua recompensa está no Senhor, e o Altíssimo tem cuidado deles. | 16 Justi autem in perpetuum vivent, et apud Dominum est merces eorum, et cogitatio illorum apud Altissimum. |
| 17 Por isso receberão do Senhor um magnífico reino e um diadema brilhante. Protegê-los-á com a sua dextra, e com o seu braço os defenderá. | 17 Ideo accipient regnum decoris, et diadema speciei de manu Domini : quoniam dextera sua teget eos, et brachio sancto suo defendet illos. |
| 18 Tomará o seu zelo como armadura, e armará (também) as criaturas para se vingar dos seus inimigos, | 18 Accipiet armaturam zelus illius, et armabit creaturam ad ultionem inimicorum. |
| 19 Tomará por couraça a justiça, e por capacete o juízo sincero. | 19 Induet pro thorace justitiam, et accipiet pro galea judicium certum ; |
| 20 Tomará a santidade como escudo impenetrável, | 20 sumet scutum inexpugnabile æquitatem. |
| 21 afiará a sua ira inflexível, como uma lança, e todo o universo combaterá com ele contra os insensatos. | 21 Acuet autem duram iram in lanceam, et pugnabit cum illo orbis terrarum contra insensatos. |
| 22 Partirão bem lançados os dardos dos raios, os quais serão desferidos das nuvens como dum arco bem encurvado, e descarregarão sobre o alvo marcado; | 22 Ibunt directe emissiones fulgurum, et tamquam a bene curvato arcu nubium exterminabuntur, et ad certum locum insilient. |
| 23 da ira de Deus, como duma balista, será arremessada uma grossa saraiva; embravecer-se-á contra eles a água do mar, e os rios os arrastarão com fúria. | 23 Et a petrosa ira plenæ mittentur grandines ; excandescet in illos aqua maris, et flumina concurrent duriter. |
| 24 O sopro da Omnipotência se levantará contra eles, e como um redemoinho os espalhará; assim a iniquidade reduzirá a um deserto toda a terra, e a malícia deitará abaixo os tronos dos poderosos. | 24 Contra illos stabit spiritus virtutis, et tamquam turbo venti dividet illos ; et ad eremum perducet omnem terram iniquitas illorum, et malignitas evertet sedes potentium. |